
"Meu livro e meu diário interferem um noutro constantemente. Eu não consigo separá-los. Nem consiliá-los. Sou uma traidora com ambos. Sou mais leal ao diário, porém colocarei páginas do me diário no livo, mas, nunca páginas do meu livro no diário, demonstrando uma fidelidade humana à autenticidade humana do diário" ANAIS NÏN
sexta-feira, 24 de abril de 2009
A noite

Apelidos
Chamar com veemência alguém (apelidar) é ter um vocativo com significado construído pela alteridade. O significado por ser explícito ou implícito, metaforizado. Entre amigos e relações fraternas é comum se reduzir o nome da pessoa ou algum vocativo, que em alguns momentos parece ser mais importante que o nome próprio da pessoa. Ou num grau mais elevado de relação social, não ter um apelido é quase como não existir, um pré-requisito para existência (vide apelidinhos que veteranos colocam em calouros nos primeiros anos de faculdade).
Apelido também servem para codificar pessoas. Roda de amigos costumam fazer isso, principalmente para esconder algum tipo de interesse ou um falar meio maldoso. As amigas geralmente não querem falar o nome do bofe, parece ser meio agressivo, por isso apelidos estranhos: godzilla, pandeko, bomberão, pedra, ingrato (a), surfista, mala e etc... Tudo isso pq o que se quer relatar não é a pessoa, mas o acontecimento, por isso a representação. A pessoa é quase uma mercadoria, um personagem que foi consumido e o apelido funciona quase como um rótulo.
O que quero dizer é que estes vocativos não são escolhidos por mero acaso. Isso se evidencia mais no âmbito amoroso. Eu tenho uma teoria: no momento em que vc apelida ou é apelidado por alguém é pq se quer apreender esta existência de uma forma única. Explico: ao nomear esta pessoa conforme o seu referencial, os seus significados, você faz com que a pessoa exista no seu universo de uma forma em que no mundo objetivo não é possivel. Afinal, nunca se consegue TER alguém, ter o absoluto. Por isso, o ato de apelidar é representar, é se relacionar com este Outro, esta pessoa.
Ao efetuar esta metáfora é marcado o posicionamento da existência deste Outro em sua vida.
Kundera tem um raciocínio muito bom sobre isso: "O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética"
O terceiro e último passo, é o reconhecimento desta metáfora. Quando o Outro atende pela nomeação, pela representação, pelo apelido. É o aceite do convite de fazer parte do universo particular.
Bem, e o contrário? A incapacidade de nomear especificamente? Acho que é pensar em como não se consegue metaforizar este alguém. E a pergunta se abre: este alguém tem algum sentido para mim?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Síssi Na Sua
Todo mundo tem um mapa.
Mapa, que mapa... eu estou À deriva, à deriva...
Alguns são feitos à caneta, outros cravados a ferro e fogo. E outros são quase transparentes.
Não enxergo um palmo a frente do nariz... Tudo é muito escuro, uma escuridão, um breu!
Ah também aqueles que são como as linhas das mãos, acho que o mapa de Sissi era assim.
Sissi, Sissi, que Sissi - Lá vem vocÊ com essa história de Sissi, Sissi
Ela nasceu com a mão esquerda para ser imutável. E a direita em eterna insconstância.
Hahaha, quer apostar, quer apostar, quer apostar?
(Fernanda Young)
