Uma Ilha entre Dois Estados

"Meu livro e meu diário interferem um noutro constantemente. Eu não consigo separá-los. Nem consiliá-los. Sou uma traidora com ambos. Sou mais leal ao diário, porém colocarei páginas do me diário no livo, mas, nunca páginas do meu livro no diário, demonstrando uma fidelidade humana à autenticidade humana do diário" ANAIS NÏN

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

No Carnaval

Vendo a polemica do Tal do "Lobo Mau" que só ivete sangalo gravou.... bem, resolvi baixar a musica....
Salve, salve... 4shared... na vida de qquer pessoa que queria ficar mais ou menos inteirada da vida da industrica cultural...

bem, a questão é que estou escutando a música no presente momento. E o grande lance é que ela fala é : "vo te comer..." ... ok.. até aí nenhuma novidade... todos sabem da relacao que carnaval tem com sexualidade. TODOS MESMO!!!

Eu mesma, estava aos pincaros de ver há dois dias, homens vestidos de mulher e extamente exercendo uma sexualidade mto diferente. Inclusive um deles batendo no capo do carro e dizendo: "_ Amo minha família!!!" E do lado do cidadão da mulher, quase que a reboque do mercado, sentido a máxima vergolha alheia... ela foi criada na máxima: _ vc tem que ser cia do seu marido ou outra será... pior ainda no carnaval...

Por isso, ela acompanha o "dito cujo" no carnaval...

E há algo além disso... é no carnaval em que há algo de mais ludico e mais humano. Não importa se vc está em ponta negra ou na redinha.... todos vão dançar as mesmas musicas e os mesmos passos.

Ontem, eu vi um grupo de ditos "alternativos" em Ponta Negra... ok.. ponto classe média, mas os minos e as minas de oculos de aro grosso e tatuagens caracteristicas, sem se falar no corte de cabelo, estavam lá, rebolando ao som do axé... o que tem tudo isso de tão reprimivel... (pergunta) .. se tudo o que acontece no carnaval é exatamente o extravasar...

Qdo escuto a musica da Ivete Sangalo fico pensando nisso... aff... como as pessoas tem necessidade de serem pudicas.. e riculamente, diga-se de passagem...

qdo vc tem coisas muito mais explicitas... ninguem fala nada... seja mina que fez o-que-todo-mundo-gosta no BBB... isso é apenas uma anedota apimentada e erótica... agora, um axé.. é outra coisa...

Eu posso citar CENTENAS de Axés que tem letras ambiguas... até mesmo o grande Rei escreveu o "Concavo e o convexo".... e todas as outras musicas em outra lingua "come baby let my fire" ... ou o mais recente bregamente "come to be come one" (spice girls)... Ou sei lá... no pior dos exemplos 50cents cantando "candy shop".... Af....

E aí... todos estes falavam de pedofilia... nossa... processem os irmãos Andersen!!! Pq ver sexo onde não háq explicito e deixar de lado o que realmente tem (pergunta) ou pior do que isso,para que criar uma sociedade de neuróticos... parece que o ganho com Freud e o feminismo, de falar sobre sexo abertamente... vira isso... uma luta entre o que é moral do que é deve ser imoral...

Ninguem discute o que se coloca em mídia de relacionamento pessoal, de vida pessoal... olhem coluna social... não há nada mais deplorável.. chega um ponto que tudo se viviem em torno de uam imagem.. isso é relamente ofensivo e pornográfico...

O pornô está em vc mostrar o que é privado... o que deve ser conservado em uma intimidade.... Falar palavrao será pornográfico (pergunta)... Usar saia curta... O que mais (pergunta)


Sengundo a Nova, revista feminina, a mulher moderna tem que ser a devassa de tempos atrás e de forma completamente forçada... é aquela que domina a situacao... se entregar as coisas é tão pecado qto no periodo medieval...

AGORA, neste momento de carnaval, meu questionamento é... de onde vem todo este puritanismo.. assim... repentino... Até ontem se lamentava a morte do ET da dupla ET e rodolfo que seu grande sucesso era: "comprei uma penal de pressão, pra ver seu cuzinho mais depressa Eu sou solteiro e não tenho compromisso Se eu lavo ou se eu cozinho ninguemv tem nada com isso" ( para entender a duplicidade fale em voz alto... rs...)

Se alguem tiver algo a dizer.,. diga....

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Migrações


Às vezes o texto me vem assim... de pronto.... BOOMMM!!! como uma explosão. Inteiro: começo, meio e fim. Às vezes se perde. Às vezes se acha no meio de outro texto ruim. OU mesmo numa abricolage de textos, se acha um.
Comecei um (mentalmente) enquanto lavava a louça. É... mulheres... Modernas ainda por cima... lavando louça? tenho para mim que ser mulher e moderna é cuidar. Parece que isso está meio em desuso. Mas cuido. Não apenas de mim, do outro, mas também do meu texto. Mesmo que comece e não o termine. Mas há, aqui, uma tentativa de fazê-lo. cuidá-lo. Compartilha-lo.
Comecei-o imaginariamente. Aos poucos recupero um fragmento... um aqui... outro lá... vou coletando aos poucos, como conchas na praia. Não sei bem o que fazer, um colar, um elemento decorativo ou apenas te-las.
Mas o que fazer se mesmo assim a idéia principal se perder? Fazer o quê?
O que se perde, ganha-se em seguida. Numa casa em que se deveria ter canetas, láspis... instrumentos de escrita, quase não há. Por pouco não perco toda esta idéia. Ou quase idéia. A minha concha.
Todo este sentimento.
Tudo o que tento opacamente escrever. Não sei bem para que escrever, além da vontade de alimentar meu desejo de catarse. É quase triste como me prendo a uma não-neurotização, quando na verdade estou alimentando-a com leite ninho para que fique bem gorda. É quase triste. Mas não é. É existência.
Existir é este limiar entre uma tristeza melancolica, a procura de algo que não se sabe que se perdeu, e uma alegria maníaca, quase histérica.
O que pensava na pia era em uma aluna. Ela sempre me pareceu séria. Séria no sentido daquelas pessoas que te passam segurança, que quando falam é um pouco trovejante. Ela sempre me pareceu muito senhora de si, o que em alguns momentos desculpava a sua aparente grosseiria. Percebo que não estou mais acostumada com pessoas de opinião firme. Quando ela me contou sua passagem com um determinado livro. Algo de diferente aconteceu. Meu modo de ve-la mudou. Me marcou. Era algo doce e triste. Quase simpático. Respeitei mais ainda a sua opinião. Ou mesmo quando no seu silencio ela me olhava em sala. Seu olhar era meu ponto de apoio em minhas explanações.
Para que algumas pessoas nascem prontas para a vida. Como parece ser o caso desta aluna. Outras não. Acho que pertenço a esta categoria, dos não prontos para a vida. Mas não estou estagnada, procuro esta vida, assim como procuro este texto.
Mudo tanto, muito. Extamente porque experencio. Não tenho esta coisa (presença adultificada), mais pareço quase uma criança. Meio birrenta, meio dengosa, mas que sempre vê aviões e onibus em caixas de pasta de dente.
Cada vez mais me torno lúdica. Processo inverso. Deveria estar me entregando a racionalidade dos anos, mas cada vez mais me descolo disso. Me abro para um mundo diferente. Mesmo com mensagens escritas no espelho do banheiro que não consigo apagar. Então deixo. Deixo lá, que o novo inquilino a apague, que cuide daquilo que não quero e não dou conta de fazer. Não há nada de errado nisso. São apenas alguns limites do momento. E que em outro momento não existem mais.
Neste universo, meio paralelo e alucinatório, em que tudo meio que se mistura, vem a dor, a alegria me mostrar que minha carne é fraca. Meu corpo é frágil. Mas que aquilo que é amorfo em mim é forte. Forma-se uma pérola. Um pequeno câncer ambíguo. Sou assim, feiosa por fora (meio fora dos padrões e da casinha, também), mas por dentro há algo precioso, raro. Mas é preciso ter o instrumento certo para abrir. É quase uma violência. É preciso mostrar a carne frágil para ter o tesouro. Por isso sou reservada. Aquilo que em mim é precioso é aquilo que é frágil em mim. Ao ser forçada a me revelar, desmontar, posso morrer.
Mas ainda há a surpresa para o outro. Será que haverá uma pérola nesta ostra?
Acho que alguém finalmente a encontrou....

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

algo....

precisaria muito me aproximar melhor de mim mesmo, deixar tudo aquilo que me separa do centro. Acabo sempre por me referir ao centro sem a menor garantia de saber o que estou dizendo, acabo sempre, enfim, por ceder ao engano fácil da geometria com que se pretende coordenar nossasw vidas de ocidentais: eixo, centro, razão de ser, Onfalo, nomes da nostalgia indo-europeia.

(O Jogo da Amarelinha) - nada mais a dizer

Mundo Satisfatório e pessoas rasoaveis - uma pauta

"O reino será de materia plastica, não resta dúvida. E não é o que o mundo se vá converter num pesadelo orweliano ou huxeliano; será muito pior, será um mundo delicioso, à medida dosseus habitantes, sem nenhum mosquito, sem nenhum analfabeto, com galinhas enormes e, provavelmente, dezoito patas, saborossissimas todas elas, com banheiros telecomandados, agua de cores diferentes, segundo o dia da semana, uma delicada atenção do servico nacional de higiene,
Ou seja, um mundo satisfatório para as pessoas rasoáveis.
E ficará nele alguém, uma só pessoa, que não seja rasoável.
Em algum recanto, um vestigio do reino esquecido. Em alguam morte violenta, o castigo por ter se recordado do reino. Em alguma risada, em alguma lágrima, a sobrevivencia do reino. No fundo, não parece que o homem acabe por matar o homem. Não vai conseguir, vai agarrar o leme da máquina eletronica, do foguete sideral, vão lhe dar uma rasteira, e depois cairao encima dele.
PODE-SE MATAR TUDO, MENOS A NOSTALGIA DO REINO, QUE LEVAMOS NA COR DOS NOSSO OLHOS, EM CADA AM, EM TUDO AQUILO QUE PROFUNDAMENTE ATORMENTA E DESFAZ E ENGANA. WISHFUL THINKINGS, TALVEZ MAS ESSA É OUTRA DEFINIÇÃO POSSÍVEL DO BÍPEDE IMPLUME."


O mundo satisfatorio para pessoas rasoaveis é como os imorais que nso olham e nos julgam. Peidam fedido no compartilhamento do banheiro. Usam joias, penteados sustentados por laque e roupas de marca. Mas no banheiro são como todos ou pior. Pq tentam disfarçar até mesmo que são humanas, com falsas tossidas. Chic's.... só se for de chiqueiro.
Me recuso a ser rasoavel. E me recuso a ser imoral. Penso o que penso, sinto o que sinto. Não tenho nada a ver com a vida alheia, pq cuidam tanto da minha....
Devo ser realmente alguem interessante

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CAPITULO 7

Toco tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mao escolheu e te desenha no rosto, uma boca que minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenha-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coindice exatamente a tua boca que sorri debaixo daquela que minha mão desenha.

Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e, nossos olhosse tornam maiores, aproximam-se, sobrepõe-se e os ciclopes se olham, respirando indistintas, as bocas se encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os labios, apoiando ligeiramente a lingua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e grande silencio. Então, minhas maos procuram afogar-se bos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivessemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrancia obscura. E, nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrivel absorver simultaneo de folego, essa instantanea morte é bela. E já existe uma sõ saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As vezes eles voltam.....

Havia tempo que pensava nisso: retornar.
Tentei eu como uma espécie de Robson Cruoé deixar a ilha. Mas não se pode deixar a Ilha, ela está dentro. Grudada. Simbiótica.
Mesmo me aventurando em outros lugares, em outros planos, percebi que de nada adiantaria. É como o sonho do homem ridículo. Tenta-se uma morte, mas o que acontece é um delírio, um descolamento em que se pode achar um mundo diferente. Mas que não deixa de ser uma cópia, um simulacro da matriz. Tal e qual também a cópia dos problemas.
Tenho uma séria questão "admirável mundo novo" X "1984"... e que, sinceramente, não acho que sejam TÃO opostos assim. Bem, mas a questão é que me sufoca o olhar de quem não quero. A vigia silenciosa de quem não quero que saiba de mim ou de minha vida. Ou seja, abomino qualquer polícia do pensamento (1984). E tão muito me creio formatada como alfa ou beta...
Odeio padrões. Odeio restrições. Detesto convenções. Mas adoro a sensibilidade e o aconchego humano. Meus paradoxos...
E um deles vem com a visibilidade. Gosto de ser notada, mas jamais o palhaçado no picadeiro. O olhar do Big Brother (do livro e não o programa da TV para os menos avisados) já não me incomoda mais. A minha visibilidade não é minha, mas das minhas ficções. São as minhas produções. Minhas combinações de caracteres. E que as vezes reverberam com outras ficções.
Embora não haja comentários para mim, escritas. Sei e espero que tenham comentários internos. Comunicações. E é este todo meu desejo.
Eu como uma ilha, entre dois estados, lido com as ambiguidades e paradoxos da vida. Da minha vida. Das coisas como vejo, penso e sinto. Agora, o que acontece comigo, como sujeito e não como ser... bem, esta é sempre a margem do mistério que o Outro tem que manter.

"Estas explicações requerem tanta imaginação quanto a epidemia ou o naufragio. [....] Mas devo me convencer: não preciso fugir. Viver com as imagens é uma felicidade. Caso cheguem os perseguidores, esquecerão de mim diante do prodígio dessa gente inacessível. Ficarei." (trecho extraído de "A invenção de Morel" - Adolfo Bioy Casares)

Portanto o recado é o seguinte: voltei. Tomo o meu lugar. Minha demarcação.
Não morri e nem matei nada. Também pq na solidão não se pode morrer, apenas se desaparece. E num passe de mágica estou aqui, ali... em todos os lugares.
E sempre bem-vindos aqueles que chegaram e aos que retornam assim como eu.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A janela

Admito minha morte, mais do que a do outro. Encaro com angustia o fim da minha existência, mas com total desespero a morte do outro. "Um novo tempo apesar dos perigos".

É um (re)começo. Destes vários que a vida promove. Uma nova vida dentro da mesma. Mas desta vez é definitivo, é inteiro e maciço. É o meu para sempre. Sinto tudo por inteiro, o que me exaspera, me consome, me extrapola e me encanta.

Não sou mais um ser apartado e dividido. Não sou mais bipartida, um ser em dois estados. Não estou em estado algum. Não estou mais cristalizada em passado ou futuro. Me crio a todo instante, exatamente sofrendo daquilo que nos retiram (ou tentam retirar pela sociabilização) a nossa capacidade de sermos deuses em nossas vidas. É a revolução criativa. Não quero e não serei mais um pepino em sua conserva cultural, mas algo multiplo e amorfo. O que soa tão ironicamente em tempos que moda e corpo quase ditam como vc deve ser, como se comportar e algumas vezes até como sentir o que bebe e o que come. Me recuso, me revolto e me rebelo desta forma.

Eu gosto de opostos, dispostos e nada de pressupostos. Sou semelhante a uma intuição, ou sou vivendo ou não sou me iludindo. Quero sentir o sentimento sendo o próprio. Não desejo mais vigias e nem grilhões.

Sou o ser livre que sempre desejei. E me oprime qualquer contra manifestação disso.

Portanto, decidi (e antes das famosas promessas de ano novo) que me livrarei de ambuiguidades de minha vida. Sei que não posso me livrar de todas, mas farei com que elas sejam mais produtivas em termos de existência.

Odeio e sempre odiei qualquer coisa que fosse o jargão: "o que os outros vão pensar..." ou "como vou ficar diante..." Me sentir vigiada, me sentir tolhida em meu espaço, e pior ainda ele sendo virtual... não quero. Deixo de lado, para trás e afastado de mim, mas jamais renegado este pequeno diário virtual.

Escrevi este blog num estado específico de minha vida, de minha história e fez parte daquilo que me faz uno. Há várias cartas escritas para o mar. Este agora que contemplo e me faz ser uno. è o movimento de casar, unção com o mundo. O meu mundo. O meu horizonte de existência.

Não sou uma sereia, nem uma ninfa, e nem mais menina. Me torno agora um ser híbrido em um abraço eterno.

Eu quero estar disposta e intensa. Quero me dedicar em existência a outras coisas. Fechar gestalts, para abrir outras.

Sei escrever. Acho. E por isso me desvencilho da tecnologia (isso não é apenas porque meu computador tem Inteligencia artificial e joga fora minha tese e/ou por causa do apagão em SP nesta semana). Mas não quero mais digitar e as palavras quase estarem prontas. Às vezes nem são as que desejo, as que eu quero. Mas vão. Acabam sendo. É uma imposição de expressão, assim como regras de etiqueta, pura homogenização. Um traço de mim concorda, buscando o rasoável. E como isso é medíocre. Não quero isso para meus textos e nem para mim. Eu não quero escrever o rasoável, pq eu não sou uma pessoa rasoável, muito pelo contrário.

Não procuro escrever uma carta de despedida, um bilhete ou lista de compra ou afazeres. Quem sabe a composição quase escolar sobre o que não fiz, sobre o que não vivi? Isso será um pequeno segredo. Como uma dupla face, posso e quero. A vida pertence a mim e não aos outros.

Vou me dedicar ao inexplicável. Ao que ninguém sabe, nem eu. Sobre o que escrevo de próprio punho, e quem sabe coloque em letras normais ou eu admita realmente o seu "aprisionamento" em um de meus diários. Deixar meus hieróglifos manuais em paz. Não tenho mais a pretensão de fazer alguem entender o que não entendo. Porque isso se tornou um meio de vigilância. Queria apenas transmitir sentimentos.

Quero sorrir, neste momento, mas não consigo. Mas estou em paz. Paro antes que tudo isso se torne algo perverso. Perverso no melhor estilo psicanálitico, uam inversão completa da libido. Por isso, não me sinto culpada por terminar algo. E nem por não estar gargalhando. Não tenho a obrigação maníaca de estar sempre feliz. Isso é quase um desespero. Estar sorrindo e gargalhando o tempo todo. Existem outros estados que não são apenas felicidade e tristeza. Não há só o branco e preto, e entre eles o cinza. São as cores que nos dão a forma. As palavras são o leve rabisco de algo. Mas parece que minhas emoções estão gagas, inseguras e por isso vão se calar, silenciar neste espaço. Não sei se para sempre. Mas para um hoje bem prolongado.

Esta é a minha manifestação diante da descoberta da finitude. Do irreversível. Tenho medo. Não de mim, mas da inexistência do outro. E é por ele que me entrego mais e mais. Fico as vezes sem rumo, porque o limiar antigo, não serve. Ainda bem...

Dou meu ultimo salto aqui. Há morte. Há sentimentos ruins. Há pessoas não de bem com a vida.

Não quero. Bato o pé. Sou assim mesmo, teimosa e indomável. E não vendo limites, apenas horizontes.


"Não há como não pensar na morte,

entre tantas delícias, querer ser eterno"

(Adélia Prado)
 
©2007 '' Por Elke di Barros